Incêndio sob Pontes e Viadutos: Três Colapsos em Menos de uma Hora

Pontes não têm compartimentação, proteção passiva nem TRRF — o arcabouço normativo de incêndio nasceu para edifícios. E por baixo delas trafega, estaciona e se estoca exatamente o tipo de combustível que produz o incêndio mais agressivo que existe.


Três casos públicos contam o padrão melhor do que qualquer teoria.


Oakland, 2007. Um caminhão-tanque de gasolina capota sob o entroncamento MacArthur Maze, de madrugada. O vão de aço, sem qualquer proteção, cruza a temperatura crítica e desaba sobre a via inferior em cerca de vinte minutos.

Atlanta, 2017. Nem foi um veículo: material plástico estocado sob o viaduto da I-85 queimou por mais de uma hora. O vão — de concreto — comprou mais tempo que o aço de Oakland, lascando e perdendo seção, e caiu do mesmo jeito. A interdição a tempo evitou vítimas.

Filadélfia, 2023. Caminhão de combustível em chamas sob a I-95, artéria que carrega da ordem de 160 mil veículos por dia. O colapso do vão levou minutos; a reconstrução emergencial e o replanejamento logístico de uma costa, semanas.

Por que a OAE é o ponto cego

O incêndio sob uma ponte é de hidrocarboneto — a curva agressiva, que chega a ~1.200 °C em dez minutos —, atacando uma estrutura nua, dimensionada para tráfego e vento, não para fogo. Não há régua de TRRF a cumprir nem chuveiro para acionar: a resistência que existe é a que a física dos materiais entrega.

O dia seguinte é uma conta, não uma inspeção visual

Para quem gere uma carteira de OAE, a lição tem duas partes. Primeiro, o risco mora embaixo: o que trafega, o que estaciona e o que se estoca sob os vãos é variável de gestão de ativo. Segundo — e mais urgente quando o incêndio já aconteceu sem colapso: quanta resistência sobrou? Concreto que passou por 600 °C não volta a ser o concreto do projeto; armadura exposta, protensão aquecida e apoios atingidos mudam a capacidade real. Reabrir tráfego com base em aparência é apostar no que o fogo deixou. A resposta é a avaliação estrutural residual: reconstruir o histórico térmico plausível, degradar as propriedades conforme a exposição, recalcular a capacidade e emitir o veredito — liberar, restringir carga ou interditar para reforço.

O plano para o dia seguinte

A Galahad faz exatamente essa conta: análise térmica e estrutural acoplada de estruturas existentes, com veredito de capacidade assinado. Sua malha tem plano para o incêndio sob o vão — e para a manhã seguinte a ele?

Referências

  • EUROPEAN COMMITTEE FOR STANDARDIZATION. EN 1991-1-2: Eurocode 1: actions on structures — part 1-2: general actions — actions on structures exposed to fire. Brussels: CEN, 2002.

  • GARLOCK, M.; PAYA-ZAFORTEZA, I.; KODUR, V.; GU, L. Fire hazard in bridges: review, assessment and repair strategies. Engineering Structures, v. 35, p. 89-98, 2012.

  • INTERNATIONAL TUNNELLING AND UNDERGROUND SPACE ASSOCIATION. Guidelines for structural fire resistance for road tunnels. [S. l.]: ITA, 2004.

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